MO_AND + (AR)RUMAÇÃO

PROGRAMA DE INVESTIGAÇÃO E CRIAÇÃO | RESEARCH & CREATION PROGRAMME

Projetos Colaborativos | Collaborative Projects

Coordenação/Coordination: Fernanda Eugenio & Francisco Gaspar Neto

Neste projecto de investigação, exploramos o uso das ferramentas do MO_AND aplicado a um trabalho de de/re-composição de um lugar-qualquer - nas suas dinâmicas sociais, políticas (in)visíveis e agentes constituintes. A partir do trato de ‘colecções reais’ – materialidades/situações como tudo aquilo que compõe o ‘recheio’ de uma carteira, de uma casa ou de um terreno baldio, por exemplo –, investigamos a hipótese de uma possível correspondência entre o trabalho de arrumar os elementos desses de-compostos e o trabalho de rumar, ou seja: encontrar outro rumo, outra direcção.

A experiência de Francisco Gaspar Neto com o Teatro do Oprimido e o Teatro de Rua alia-se à experiência de Fernanda Eugenio com o MO_AND e com a Etnografia como Performance Situada, tomando como ponto de co-incidência a pergunta É possível (ar)rumar de outro modo?, numa pesquisa dos modos da concretização: de-formar, trans-formar, con-formar, re-formar...

O termo arrumação guarda sentidos variados. Aplica-se ao acto de organizar, tanto numa voltagem mais próxima à restituição de um lugar devido (arrumar a casa, arrumar as ideias) quanto numa modulação mais afinada com a criação de um lugar indevido, provisório e/ou não-previsto e inexistente até então (“e agora? preciso arrumar um lugar para enfiar isso!”; “onde é que eu vou arrumar um lugar pra sentar?”). Na linha deste último sentido, o uso popular relaciona a arrumação com o desenrasque, o jeitinho: o acto de encontrar soluções circunstanciais ou precárias, ou de fazer arranjos escusos (arrumar um troco; arrumar uma maneira). Finalmente, o termo arrumação faz parte da linguagem técnica das navegações, guardando o sentido tanto de encontrar o rumo a partir de sinais – a luz de um farol, a disposição das estrelas no céu, os acidentes geográficos –, quanto de lançar estes sinais nas cartas marítimas. Então, articulando todos estes sentidos, a (ar)rumação é uma prática colectiva de acção nos espaços, na lida com materiais diversos, que articula tanto o conhecimento do território, através da cartografia/etnografia, quanto o conhecimento de si, através da auto-etnografia. O que modula esse encontro entre ambiência e subjectividade é uma busca subtil e enviesada por arrumar lugar para novos modos de existência, portanto de relação, numa deriva orientada por sinais relativos e heterogéneos.

[English]

MO_AND + (AR)RUMAÇÃO

This research project applies MO_AND tools to the work of de/re-composition of a place, whatever-place, in its social dynamics, (in)visible politics and constituent agents. Handling with 'real collections' - materialities/situations that compose the 'stuff' of a bag, a house or a wasteland, for example - we investigate the possibility of correspondence between arrumar (the work of organising the elements of these compounds) and rumar (the work of wandering and finding different directions).

Francisco Gaspar Neto and Fernanda Eugenio share aspects of their practices, taking the question “Is it possible to find other ways of (ar)rumar?” as point of co-incidence, researching modes of materialisation: de-forming, trans-forming, con-forming, re-forming...

The term arrumação carries varied meanings. It applies to the act of organising, either at a voltage closer to the restitution of a proper place (‘tidy up’, ‘clear one’s head’) or as a modulation more attuned to the creation of an improper, provisional, unforeseen or so far non-existent place (as in response to ‘where am I going to put this?’). Popular usage relates arrumação with an improvised or tricky way out: the act of finding circumstantial or precarious solutions, or of making obscure arrangements. Finally, the term arrumação is part of the technical language of navigation, related to finding the way through signs - the light of a beacon, the arrangement of the stars in the sky, the geographical accidents -, as well as to lauching these signs into the charts.

Therefore, articulating all these meanings, (ar)rumação is a collective practice of intervention in spaces, dealing with diverse materials, and which articulates both the knowledge of the territory through cartography/ethnography and self-knowledge through auto-ethnography. What modulates this encounter between setting and subjectivity is a subtle and skewed search for new modes of existence and, therefore, new relations, a drift guided by derivative and heterogeneous signs.

 
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