'QUÊ?' (Artefacts & .Collaboratives)

Práticas de (Ar)rumação

Fernanda Eugenio & Francisco Gaspar Neto

Desde 2017

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PROJETOS COLABORATIVOS

Programa

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Nas Práticas de (Ar)rumação exploramos o uso das ferramentas do MO_AND aplicado a um trabalho de de/re-composição de um lugar-qualquer - nas suas dinâmicas sociais, políticas (in)visíveis e agentes constituintes. A partir do trato de ‘coleções reais’ – materialidades/situações como tudo aquilo que compõe o ‘recheio’ de uma carteira, de uma casa ou de um terreno baldio, por exemplo –, investigamos a hipótese de uma possível correspondência entre o trabalho de arrumar os elementos desses de-compostos e o trabalho de rumar, ou seja: encontrar outro rumo, outra direção.


A experiência de Francisco Gaspar Neto com o Teatro do Oprimido e o Teatro de Rua alia-se à experiência de Fernanda Eugenio com o MO_AND e com a Etnografia como Performance Situada, tomando como ponto de co-incidência a pergunta É possível (ar)rumar de outro modo?, numa pesquisa dos modos da concretização: de-formar, trans-formar, con-formar, re-formar...


O termo arrumação guarda sentidos variados. Aplica-se ao ato de organizar, tanto numa voltagem mais próxima à restituição de um lugar devido (arrumar a casa, arrumar as ideias) quanto numa modulação mais afinada com a criação de um lugar indevido, provisório e/ou não-previsto e inexistente até então (“e agora? preciso arrumar um lugar para enfiar isso!”; “onde é que eu vou arrumar um lugar pra sentar?”). Na linha deste último sentido, o uso popular relaciona a arrumação com o desenrasque, o jeitinho: o ato de encontrar soluções circunstanciais ou precárias, ou de fazer arranjos escusos (arrumar um troco; arrumar uma maneira). Finalmente, o termo arrumação faz parte da linguagem técnica das navegações, guardando o sentido tanto de encontrar o rumo a partir de sinais – a luz de um farol, a disposição das estrelas no céu, os acidentes geográficos –, quanto de lançar estes sinais nas cartas marítimas. Então, articulando todos estes sentidos, a (ar)rumação é uma prática coletiva de ação nos espaços, na lida com materiais diversos, que articula tanto o conhecimento do território, através da cartografia/etnografia, quanto o conhecimento de si, através da auto-etnografia. O que modula esse encontro entre ambiência e subjetividade é uma busca sutil e enviesada por arrumar lugar para novos modos de existência, portanto de relação, numa deriva orientada por sinais relativos e heterogêneos.